O problema dos boletos

A cena é clássica: uma criatura adolescente com seu primeiro cartão de crédito se vê com poder infinito nas mãos. Ou algo entre 500 e 1000 reais de limite. De qualquer modo, pra quem só via o dinheiro do salgado, mil reais é muita coisa.

Então lá vai ele, direto ao shopping: compra sapatos, roupas, quem sabe até jogos. Mas e depois? Maldito foi o dia em que o banco lhe deu um cartão de crédito universitário.

Nós não temos educação financeira nas escolas. Nem sequer nos ensinam como usar um caixa eletrônico. No máximo se vê como calcular juros compostos mas… e aí? Por quê eu quero saber disso? Bom, existe uma infinidade de razões pra querer saber por quê, seja pra evitar ser afogado no débito, seja pra, a la Rockefeller, ver seu dinheiro crescer virtualmente. Mas esse contexto não é ensinado. Esse é um dos problemas oriundos de a educação do ensino médio ser totalmente voltada para o vestibular (quando é voltada pra alguma coisa).

Mas não tratarei de matemática aqui. Bom, não nesse post. O que quero dizer é que mal aprendemos o básico de educação financeira nas escolas. O dinheiro é uma entidade abstrata, com muita frequência associada ao Mal, e o cartão de crédito é um passe livre que rapidamente se converte numa bola e corrente.


O que pode existir dentro de um cartão de crédito

Mas existe uma estratégia simples, mas com fama de ser chata, de contornar essa situação. Infelizmente ela não é milagrosa, ela não gera recursos do nada; ela só ajuda a manusear os recursos que já se tem.

O interessante é que quando a gente vê disposto na nossa frente os recursos que nós temos, estamos como que em frente a uma sandbox. Não, não é uma caixinha de areia. Sandbox é como uma modelo virtual do mundo, uma representação simbólica (ugh, odeio essa expressão) das nossas potencialidades. Desse modo a gente pode criar estratégias: o que a gente pode tirar? O que a gente pode inserir? E assim, sem sofrer nenhuma consequência prévia, a gente cria uma simulação do que a gente pode fazer.

Certo dia estava conversando com um amigo meu sobre essa estratégia. Aparentemente, era um tema bastante chato pra ele. Me ofereci para ajudá-lo com isso no dia seguinte, que seria um domingo. Ele disse: “tá maluco que eu vou te perturbar pra fazer um negócio chato desse num domingo”, ao qual eu respondi: “mal sabe que eu me amarro”.

Qual é a estratégia? Planilhas financeiras. Realmente isso pode ser chato, mas é importante pelo seguinte motivo: ninguém sabe quantas calorias tá consumindo por dia até começar a contar. Da mesma forma, é muito fácil perder noção do quanto se está gastando principalmente se se está comprando coisas baratas. É muito fácil comprar um pacote ou dois de paçoca por dia no caminho pro trabalho, faculdade ou escola, e se a gente não ficar atento, um real pode ser muito… principalmente se a gente gasta um real várias vezes por dia.

E isso é bem comum. Normalmente o que acontece é que o dinheiro cai nas mãos da pessoa e alguns dias depois tudo foi-se embora, sem saber como nem por quê direito. Infelizmente, pra boa parcela da nossa população isso se dá por pura necessidade, mas para uma parcela que também não é pequena isso se dá por puro descuido.

Vamos colocar tudo na planilha. Conheço gente que não sabe o quanto gasta e acaba gastando mais do que pode, e gente que tem medo de gastar demais e acaba se apertando desnecessariamente. Esses dois tipos acabam ficando sufocados. Por mais que não haja nada romântico em se perguntar ou falar sobre dinheiro ele é tão importante quanto o tempo e a energia, além de ter uma correspondência direta com a saúde. Logo, é interessante saber evitar esses dois extremos.

O que vamos fazer é simplesmente definir onde estamos em termos financeiros: pode ser uma situação desagradável que vai pedir por cortes e estratégias novas, uma situação neutra em que as coisas vão simplesmente continuar como estão, ou, quem sabe, uma situação boa.

Essa prática visa nos dar a capacidade de planejamento pra criar essas situações boas ou potencialmente otimizar as outras situações não tão boas. No final das contas isso funciona como um espelho do momento atual. Isso inclui carteira e banco.

Logo abaixo está o próximo post: um tutorial para essas planilhas. Acredito que a maior parte das pessoas tenha uma noção básica de como usar o Word e o Excel nos dias de hoje, mas nesse tutorial eu explico tudo que é necessário pra implementar essa estratégia e não ser mais pego de surpresa. Eu recomendo que se reserve uma horinha pra acompanhar ele. O que eu explico nele já me salvou de muita dor de cabeça.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *